Postagens

Imagem
PARA ONDE VAI ESSE TREM? Quando Marx e Engels escreviam "A Ideologia Alemã",entre os anos 1845-1846 (a primeira exposição estruturada da concepção materialista da história), eles buscaram articular as categorias essenciais da dialética marxista (como trabalho, modo de produção, forças produtivas, alienação, consciência) para interpretar o movimento do modo de produção capitalista, apontando para a origem das crises cíclicas do capital, as quais desembocariam em uma inevitável crise estrutural de colapso do sistema. Diziam os autores: "  Para que ela (a crise) se transforme num poder 'insuportável', quer dizer, num poder contra o qual se faça uma revolução, é necessário que tenha dado origem a uma massa de homens totalmente 'privada de propriedade', que se encontre simultaneamente em contradição com um pequeno mundo de riqueza e de cultura com existência real".  Se é verdade que de lá até aqui o modelo capitalista de produção tem acumulado um...
Imagem
Um Verde cada vez mais desbotado! Desde que o conceito de "desenvolvimento sustentável" começou a circular mundo a fora, a partir da famosa publicação de 1987 do grupo liderado pela médica e ex-Primeira Ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland, intitulado "Nosso Futuro Comum", a ideia de substituição da matriz energética mundial esteve presente. O abandono da energia fóssil (produzida a partir da queima do carvão, petróleo e gás natural), e a sua substituição por uma energia "mais limpa", como a energia solar, eólica ou de biomassa, se tornou um mantra entre ambientalistas que, desde o início, denunciaram que as mudanças climáticas (acentuadas pelo uso indiscriminado da energia fóssil) representariam um papel decisivo no colapso da sociedade humana. Não há nenhuma dúvida de que eles estavam certos quanto ao impacto do uso da energia fóssil, pois não é preciso ser muito inteligente para entendermos que o uso ilimitado de recursos em um planeta fis...
Imagem
Quando um caminho se torna irreversível? A postagem de hoje é motivada por uma reportagem que li, compartilhada ontem pelo Diário do Centro do Mundo, dando conta de que, segundo dados do IBAMA, em 2019 os garimpos na região amazônica foram responsáveis pelo desmatamento de uma área de 10,5 mil hectares de florestas, um aumento de 23% em relação a 2018, quando foram desmatados 8,5 mil hectares. Se a questão ambiental e indígena já não possuia nenhuma prioridade para um governo que entende que absolutamente tudo está a venda e pode ser negociado, em momentos de crise como o que estamos vivendo, esta questão se agrava ainda mais. Enquanto as pessoas estão focadas em uma crise mundial de saúde que coloca em risco a própria sobrevivência individual de cada um, os garimpeiros, grileiros, madeireiros e fazendeiros se aproveitam da desatenção da mídia para avançar seu projeto de destruição da maior floresta tropical contínua ainda existente no planeta. Até aí nada de muito novo para u...
Imagem
Uma vida mais simples é possível? Durante esta semana temos falado de doenças, mortes, desequilíbrios e dominação na relação entre a sociedade e a natureza. Hoje, para tornar as coisas um pouco mais leves, resolvi comentar um dos filmes que mais me impactou até hoje, por me forçar a pensar "fora da caixinha", por me jogar na cara a idiotice de muitos dos valores que eu cresci pensando serem inexoráveis na busca do chamado desenvolvimento. Estou falando de um filme francês de 1996, chamado "La Belle Verte" (literalmente "O Belo Verde", mas que recebeu o título de "O Planeta Verde", em Portugal, e "Turista Espacial" na versão brasileira). O filme foi dirigido pela renomada diretora Coline Serreau que, inclusive, interpreta a personagem principal. Quando falamos de ficção científica, via de regra nos vêm à cabeça aquelas distopias futuristas ao estilo de Blade Runner (o qual, aliás, foi lançado em 1982 e projetava para novem...
Imagem
E se não tivéssemos sido "descobertos"? A sugestão de leitura de hoje não é nova, mas absolutamente pertinente em tempos de pandemia. A obra do professor emérito de História, Geografia e Estudos Americanos da Universidade do Texas, falecido em 2018, foi lançada originalmente em 1986, e é um dos grandes clássicos da história ambiental e ecologia política. Neste momento, o livro "Imperialismo Ecológico: a expansão biológica da Europa 900-1900" nos mostra especialmente como a disseminação de doenças tem sido usada desde o século XV como um instrumento de conquista e dominação por parte dos europeus que aqui chegaram.  O foco da discussão do Crosby está concentrado no processo de invasão biológica promovida pelos conquistadores europeus em outras regiões do planeta, por meio daquilo que o autor denominou de “biota portátil” . Crosby nos mostra com uma grande quantidade de exemplos e com um texto envolvente, como é que espécies de plantas, animais ou mesmo m...
Imagem
A culpa é dos morcegos? No momento em que me sento para fazer esta postagem, a Organização Mundial da Saúde registra 3.349.786 de casos de COVID-19, com 238.628 mortes (8.657 delas nas últimas 24 horas). A história oficial para o aparecimento desta pandemia há cerca de cinco meses atrás, é de que o vírus teria passado dos morcegos para algum tipo de animal silvestre vendido noMercado de Frutos do Mar de Huanan, no distrito de Jianghan, cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China. A partir do consumo destes animais infectados, o vírus teria saltado para a espécie humana, dando início a esta pandemia que tem sido responsável por alterar profundamente o metabolismo econômico e populacional da vida urbana em praticamente todos os países do mundio. No entanto, um livro publicado por Rob Wallace, biogeógrafo da Universidade de Minnesota, em 2016, nos ajuda a compreender esse processo para além da explicação oficial. Esta coleção de ensaios intitulad...
Imagem
Cultivando espaços não contaminados A cosmologia dos povos andinos nos diz que vivemos um período de Pachakuti (mudança da Terra), a mudança de um longo ciclo de 500 anos, iniciado há cerca de 2000 anos atrás. O último Pachakuti (o quarto), segundo a tradição andina, se iniciou em 1532, com a chegada dos espanhóis ao Perú; um ciclo de 500 anos de escuridão e opressão. O quinto Pachakuty, acreditam os povos ancestrais, será um ciclo de luz; nele, os povos originários da América deixarão de ser oprimidos e haverá um renascimento da glória dos antepassados. A professia é de que o quinto Pachakuti tenha início em algum período entre 1992 (os 500 anos da chegada dos europeus na América) e 2032, e o período compreendido entre estas duas datas é considerado um período confuso e de transição, que deverá nos preparar para este novo período. Cosmologias à parte, o certo é que vivemos tempos realmente curiosos por aqui; tempos em que o conhecimento parece cada vez menos valorizado; te...